rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

sábado, setembro 29, 2007

O LIMPO BRAÇO DA LEI...

A intervenção do senhor PGR e da senhora procuradora geral-adjunta Dra Maria José Morgado têm credibilizado a imagem da Justiça.


Quando ainda há poucos dias o senhor PGR despachou no sentido de os procuradores do MP recorrerem sempre que a decisão do juiz não seja conforme ao espírito da Dra Maria José Morgado, não passou um atestado de menoridade aos procuradores - como alguns leviana e aligeiradamente quiseram fazer crer - mas tão-somente salvaguardou uma estratégia bem delineada e cumprida à risca pela equipa liderada por ela, de modo a que um juiz, quiçá íntegro e honesto, mas não dentro da problemática específica em apreço, possa derrubar todo um trabalho colectivo.

Sabe-se que alguns processos foram arquivados e posteriormente desarquivados. Isso não significa falta de escrúpulo ou falta de honestidade da parte de quem mandou arquivar; poderá significar isso sim falta de preparação e falta de conhecimentos específicos num domínio sensível,
volátil e demasiado escorregadio; só quem tem uma preparação e uma experiência muito grande neste domínio poderá actuar com eficácia e objectividade.

Um dos defeitos que se apontam aos srs juizes é a falta de preparação específica em certos domínios. A culpa não será só deles, mas também do esquema em que estão inseridos. Seria util uma maior acuidade neste sentido em ordem a salvaguardar eventuais falhas e faltas de conhecimento específico. Todos sabemos que há uma sofisticação enorme na técnica de evasão de capitais, usando-se paraísos fiscais e certos estratagemas para iludir o fisco e as autoridades judiciais. Dir-se-ia que em Portugal há autênticos David Copperfield na arte de esconder, sobretudo dinheiros. Veja-se o chamado caso-Mantorras que é paradigmático...

Há que ir ao fundo das questões. Há que salvaguardar a verdade desportiva, custe o que custar. O chamado apito dourado tem várias colorações ninguém o duvide. Não sejamos ingénuos ao pensar que é só um ou dois neste oceano de malabarismos; há muitos polvos e tubarões. São violentos e também manhosos: sabem lançar tintas para camuflar a sua presença e iludir a caça.

Uma coisa é certa: algo mudou e para melhor. A operação mãos limpas pode não erradicar toda a sujidade mas vai limpar muita coisa, isso vai.

O Sexo dos anjos!



A bola já foi chão que deu uvas... Maria José Morgado & Cia vão provar isso mesmo! A ver vamos!



Usualmente utiliza-se a expressão discutir o sexo dos anjos para criticar polémicas estéreis ou assuntos de lana caprina que assumem foros de grande envergadura. Este tema que abordo afigura-se-me importante e digno de meditação para o futuro.
Tem-se verificado com frequência jantares de políticos só com mulheres. Qual o objectivo?
Mostrar que os candidatos além dos predicados normais que estão em equação nestes domínios, também têm sex-apeal, são capazes de atraír o voto pela imagem, pela aparência, pelo visual. Ou seja: o produto vende-se não só pelo valor em si mesmo, mas também pela embalagem...
Vem a talhe de foice recordar aquele célebre jantar de Santana Lopes só com mulheres em que ele dizia que o outro candidato preferia outros colinhos. Insinuando subrepticiamente que Sócrates seria homossexual como se cochichava então. Muitos cidadãos não socialistas acharam tão nojenta a boutade que só por isso passaram a odiar Santana Lopes. Foi o princípio do seu fim.
A exibição de encantos de índole fotogénica não me diz nada. Em política eles ou elas valem pelo que dizem, pelo que fazem, pelas ideias, e não pela forma como vestem, pelo impacto do seu bronzeado ou pela fotogenia. Qualquer cidadão inteligente pensa como eu. Admito que haja excepções: pessoas que votam no candidato/a que tem a pele mais macia, o visual mais atraente, a casa mais luxuosa, o carro mais bombástico. Eu não.
Sem ambições políticas resta-me um objectivo: abrir os olhos às pessoas sobre os logros e as mecânicas de marketing que ofuscam a frieza de análise, que obnubilam os espíritos, que embotam o espírito crítico.
Que me interessa a mim se fulano vai muitas vezes à missa, se está sempre presente no futebol, se vai a muitos jantares de sociedade, se ele não respeita a legalidade, se ele só protege os amigalhaços, se ele vende a alma ao diabo por um punhado de dólares ?!
Que me interessa que o político (a política...) X tenha boa imagem, tenha uma forma de vestir estilo Armani ou Yves Saint Laurent, se é deselegante na linguagem, se afronta os humildes, se insulta a oposição, se só dá guarida aos da sua laia?!
Infelizmente a imagem (a aragem) é que conta para certos pacóvios (pacóvias).
Tristemente há aspectos secundários que são empolados até à exaustão para enaltecerem certas cavalgaduras, enquanto os verdadeiros políticos, sem histerias, sem berreiros mediatizados, são subalternizados artificialmente.
Que me interessa que o político (política ) X seja de baixa estatura, seja gordo, seja dono de um carro modesto, se ele tem carácter, se ele tem estofo de estadista, se ele não vem para a praça pública armar-se em vítima de coisas que nem existem, apenas estão engendradas na sua mente doentia para colher efeitos do coitadinhismo que ostenta por todos os poros?
Lembram-se de Odorico Paraguaçu, personagem imorredoira, figura imperdível do universo imagético de Jorge Amado?
Ele prometia casamento a todas as donzelas e a todas as encalhadas com o objectivo de angariar a sua fidelidade e a sua capacidade de captar votos. Depois, ao ganhar as eleições, foi confrontado com o problema de ter que satisfazer tantos compromissos... foi uma vitória pírrica por esse habilidoso estratagema. Santana Lopes, com o seu cortejo de santanetes (que já faz parte do anedotário e do imaginário nacional) foi um pouco um Odorico de feição lusitana...
Agora aparece um outro. Ou me engano muito ou o seu estilo vai caír em desuso. Os portugueses estão fartos de vitimizações hipertrofiadas, de coitadinhismos pacóvios, de galãs de revista que não passam de galos de aviário ou capões tonitroantes e palavrosos sem conteúdo intrínseco, sem tutano moral e cívico, enfim, sem estaleca de estadista...
Por eles os sinos dobrarão, sem remissão!...
Vila do Conde, sexta-feira, dia 28 de Agosto de 2007

sexta-feira, setembro 28, 2007

Coimbra, santuário do Fado...


Fado de Coimbra, património da portugalidade e da humanidade...




Coimbra, musa do Fado,
Minerva feita cidade,
Um rincão imaculado
Ó terra da liberdade!
Sempre jovem, sempre airosa,
Coimbra, sempre menina
Musical, melodiosa
Fada de capa e batina!...
Quando o manto da saudade
Nos envolve o pensamento
Voltamos p'rá mocidade
E criamos novo alento.
Na alma desta cidade
A alma do Fado 'stá,
Aspira à perenidade
Ontem, hoje e amanhã!
De raiz intemporal
O Fado tem um condão:
Ser matriz de Portugal
Ser a alma e o coração!
Na tradição coimbrã
Reza um velhinho ditado,
Lugar no céu só terá
Quem souber cantar o Fado!
Quem não o souber cantar
Por não ter ouvido ou voz
Ao inferno irá parar
Ó destino mais atroz!

quarta-feira, setembro 26, 2007

Dissertações sobre a génese do populismo.

Eu já li Ernest Hemingway e John Steinbeck, por isso não sou populista!

Esta afirmação, proferida há dias por um candidato a líder partidário, é de um simplismo tão primário que de per si, nada abona sobre quem a profere; há palavras que definem comportamentos; contudo elas poderão ser redutoras, poderão ser demasiado ambíguas (ambivalentes?), gerando nos espíritos perplexidades sem conta.

"Diz-me o que lês dir-te-ei quem és", este adágio popular é de uma pobreza constrangedora e susceptível de mil-e-uma interpretações. Há quem leia a bíblia e o corão (quiçá diariamente) e não se coiba de cometer os maiores latrocínios e barbaridades.

Os livros podem ajudar a formar o carácter, a moldar estilos ou plasmar personalidades, mas há outros factores a influenciar a praxis quotidiana: factores genéticos, pressões do meio ambiente (lóbis), circunstâncias várias poderão moldar uma idiossincrasia; há quem leia com espírito crítico os livros mais hediondos e fique vacinado contra a ideologia por eles propalada, não se deixando assediar pelo autor, não comungando dos princípios programáticos.

Que importa ler As Vinhas da Ira, A Leste do Paraíso, O Velho e o Mar, se se tem comportamentos nada consentâneos com princípios de democraticidade pura?

Isto de pagar quotas em massa, faz lembrar a oferta de electrodomésticos... no fundo há a mesma apetência por um voto a troco de...

Antigamente os lavradores com ambições políticas ofereciam um garrafão de vinho, agora a sofisticação é maior: há quem convide a ir a casa comer marisco e beber umas cervejas.

Há quem use as festas religiosas para fins políticos (até na escolha dos membros dessas comissões...); há quem faça homenagens por- dá- cá- aquela- palha, mais para colher dividendos políticos dessa homenagem do que para honrar quem é visado; há quem ande a pagar bebidas pelos cafés (se calhar com dinheiros vindos do erário público...) com intuitos de obter favores eleitorais...

O populismo e o futebol são dois irmãos gémeos. Há quem seja apoiante de um clube (o clube de coração) mas não se importe de vender a alma a um clube rival (clube de interesse ... clube que dá votos...), desde que isso traga prebendas eleitorais efectivas.

Há quem esteja no futebol só para colher dividendos políticos eleitorais (e até algo mais...), para ter os banhos de multidão necessários a limpar eventuais sombras ou manchas de outra índole.

O populista não é o que lê isto ou aquilo, é o que age de forma calculista, usando a paixão popular (`as vezes cega e ingénua) para se envolver no meio e extraír proveitos pessoais.

Há quem goste de música pimba e tenha erudição. A música clássica não é incompatível com falta de classe ou carácter ignominioso: consta que Hitler e Pinochet eram fervorosos amantes de música clássica... tantos ditadores se arvoram em mecenas de artes só para colherem dividendos ou popularidade fácil . Enfim, o tema daria pano para muitas mangas. O sermão não é para ninguém em particular mas o meu púlpito é o país em geral...

Honi soit qui mal y pense!

terça-feira, setembro 25, 2007

A Terra é Santa...


Muito embora sem aquele gesto característico do Seu antecessou João Paulo II, beijando a terra no local onde poisava, como prova de respeito, este papa tem assumido um papel muito interventivo na defesa do ambiente. Certamente ainda não chegou ao ponto de considerar um pecado o atentado contra o meio-ambiente mas não demorará muito.
De facto, assistimos a um insano ataque ao meio-ambiente nos nossos dias. Além da falta de cuidado no tratamento de efluentes (aqui as autarquias têm um papel muito pedagógico) há que atentar na emissão de gases que vão paulatinamente deixando a atmosfera em estado catastrófico (nalguns locais) provocando o chamado efeito de estufa, que é sem dúvida um malefício com efeitos multifacetados (alguns se calhar ainda não explorados ou detectados em profundidade); a camada de ozono está danificada e não filtra os raios ultra-violeta, nem protege os animais e plantas dos efeitos nocivos do sol. O degelo dos glaciares poderá, a médio e longo prazos, ser uma tragédia de efeitos ainda não totalmente previsíveis.
Que Sua Santidade se assuma como paladino nesta área tão sensível é de enaltecer e de louvar, pois todos os esforços serão bem-vindos neste domínio. O património que herdámos dos nossos antepassados precisa de ser preservado. Ser ecologista já não é uma mania (ou tara como alguns ainda alegam) mas um dever de cidadania, uma missão que se deve transmitir a todos com a minúcia e até o carinho indispensáveis para que o planeta se conserve saudável (e nos conserve igualmente saudáveis) por muitos anos.
Parabéns a Bento XVI por este seu empenhamento. Era bom que se despoluíssem também as mentalidades, sobretudo as fundamentalistas, de todos os matizes e de todos os credos. Mas isso é tarefa bem mais difícil. O que mais vemos é fundamentalismos idiotas a poluír o ambiente e o convívio saudável. Mas idiotas sempre hão-de existir... não se podem capturar como as borboletas...

Angela Merkel: a dignidade e o aprumo.


Angela Merkel deu uma lição! Em Portugal a fobia chinesa imperou e o líder do governo (e da Europa, no momento actual) receou receber o Dalai Lama. Ela, sem medos, sem constrangimentos, deu uma bofetada de luva branca a alguns homens. Recebeu o Dalai Lama.
Quando hoje em dia se fala sobre Direitos Humanos vem à memória a forma como se instalou o nazismo, na Alemanha de Hitler. Várias personalidades confessaram a sua lealdade e simpatia ao regime totalitário (ainda agora um guarda-costas de Hitler, de nome Mish, acaba de escrever um livro mostrando com naturalidade a admiração que nutria pelo regime) e deixam vislumbrar, pela sua postura desassombrada, que aquele populismo era atractivo e sedutor.
Paralelamente a um entusiasmo irracional, havia também um sentimento de alheamento no pensar, de embotamento moral e cívico; foi esse caldo de cultura que gerou o nacional-socialismo com todo o cortejo de malfeitorias que culminaram num belicismo patológico, exacerbado pelo culto da raça (ariana); os totalitarismos nascem quase sempre com forte adesão popular, uma adesão acéfala e baseada em factores galvanizantes, aparentemente insusceptíveis de reparo. Os descamisados de Péron são um exemplo típico destes paradoxos. Os desprotegidos da sorte foram bandeira que catapultou o Peronismo ao poder, mas depois, ele extravazou e passou a defender a clique oligárquica que se colou a ele. Adeus democracia.
O pior é quando a par desse exacerbado culto de personalidade ao chefe (caudilho, detentor de todas as virtudes), surgem sinais de corrupção na justiça, na administração pública, até no ensino... é o princípio do fim; a pretexto da defesa do pensamento do chefe, tudo se permite, tudo se derruba para ele passar na passadeira vermelha (a cor do sangue derramado...), nada se discute com medo de ser desleal ao líder carismático. E quem diz o chefe, pode dizer o clube de futebol da terra, que normalmente funciona como capa protectora para todos os excessos, como porta de entrada para todos os arbítrios, como salvo-conduto para o enriquecimento de alguns que estão no topo da estratégia e gerem a seu bel-prazer o cambalacho instalado!
Na cena internacional vemos a China a querer assumir-se como dono de consciências, sugerindo que não se receba o Dalai Lama (este nem sequer pretende a independência do Tibete, apenas um mínimo de respeito pela identidade cultural de um povo que está a ser vilipendiado por um regime colonizador) sob pena de retaliações de ordem material (económico-financeira).
Angela Merkel não cedeu às pressões. Não vendeu a sua consciência, não colocou o prato de lentilhas chinês acima da sua dignidade. Será que irá sofrer alguma reprimenda?
Que este pequeno exemplo sirva para abrir os olhos a este nosso povo que se deixa narcotizar com facilidade por caudilhos de pacotilha que usando habilmente a bandeira do futebol ou certos discursos eivados de frenesim pseudopopular nos querem impor uma mordaça ou um modo de pensar ou sentir uniformes. Claudicar em termos de princípios é abrir as portas ao totalitarismo, é a antecâmara da anti-democracia.
Esta mulher de coragem que sirva de exemplo. O gigante chinês precisa de lições, precisa de ser ensinado a respeitar as liberdades, precisa de saber o que é uma convivência democrática autêntica. Quem claudicar nessa tarefa, quem vergar, estará a alimentar o monstro em ascensão, pactuará com um potencial imperialismo in ovo...

segunda-feira, setembro 24, 2007

Aquilino Ribeiro regressa! Uma nova monarquia se estadeia!

Aquilino Ribeiro foi acusado (quiçá injustamente) de estar envolvido no regicídio. Agora, no Panteão Nacional (justamente), era bom que o seu espírito brilhante e luminoso derramasse um pouco de clarividência sobre esta populaça entontecida por populismos com sabor monarquizante. Alguns reisetes, acolitados por uma justiça devassa e permissiva para uns e estranhamente punitiva para outros, vão gerindo a coisa pública de forma pouco transparente, ostentando sinais inequívocos de fartura, que são, de facto, a parte visível do cancro que vai sugando de forma irreversível, a vitalidade, a salubridade e a pujança de uma República que Abril quis que fosse transparente, popular, impoluta. Mas que de facto não o é.


OS CAPTURADOS



Se os lobos recomeçam a uivar
Semeando o terror nos povoados
E a Justiça se deixa capturar
Há que denunciar os capturados.

Regressa Malhadinhas-Aquilino
Fustiga a corrupção omnipresente
Desanca este poder luciferino
Com ar angelical... mas indecente.

A Justiça tem face tenebrosa
É Jardim das Tormentas para o pobre;
Terra do Demo, sílfide escabrosa,
Com manto de perfídia se recobre.

Aquilino Ribeiro, esta República
É Via Sinuosa da ambição;
Há reisinhos gerindo a coisa pública
Há autarcas-monarcas, que abjecção!


Nós, os republicanos democratas,
Vemos oligarquias populistas...
Uns tesos se transformam em plutocratas
Enquanto o mafarrico esfrega as vistas!

sábado, setembro 22, 2007

Vila Franca de Xira: Flor da Lezíria Ribatejana




A praça de touros continua a ser um ex-libris apesar da mudança dos tempos e das mentalidades...
O Tejo com esplendor se vai espraiando
Excelso embaixador do Ribatejo
Vila Franca, tão bela, fecundando
Com prazer, com volúpia, com desejo...
De um passado só touros e toureiros,
Imagem ancestral, velhos valores...
Cenário de Gaibéus, palco de Esteiros,
Alves Redol, Soeiro... seus mentores...
Vila Franca liberta do passado
Respeita mas renova a tradição
O futuro não está hipotecado
À prepotência vil ou exploração. (1)
O desenvolvimento sustentado
Agora se vislumbra ao sol de Abril,
A Liberdade é sonho acrisolado
Um sol forte, que inunda rostos mil!...
Vila Franca de Xira é flor-paixão
A flor deste jardim intemporal
Que brota geração pós geração
Mais pura, mais feliz, sensacional!
(1)Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes deram uma imagem fiel dessa iníqua exploração
nas suas obras, expoentes do neo-realismo português.

Robert Mugabe versus Dalai Lama

Robert Mugabe é um facínora, um ditador, um violador dos Direitos Humanos. A sua presença entre nós será motivo de vergonha nacional. Atente-se na disparidade de comportamento do governo para com o Dalai Lama - essa figura humanista exemplar!


"Bem prega Frei Tomás, olha para o que ele diz e não para o que faz!"
É assim com este intróito que quero manifestar a minha censura e o meu azedume perante aqueles que se dizem defensores dos Direitos Humanos, mas, na prática, mandam às urtigas os princípios e procuram os interesses mesquinhos, os materialismos ignóbeis às vezes camuflados pela palavra Realpolitik!...
Sejamos honestos: Portugal deu um exemplo ao mundo inteiro com a questão de Timor; perante os abusos nós interviemos e mesmo perante a forte Indonésia conseguimos levar a água ao moinho; mesmo certos países bem relacionados com a Indonésia abriram-nos as portas e deram a sua protecção ao povo timorense.

Agora, não são apenas os brancos ingleses que estão a ser expulsos e chacinados, é todo um povo que sofre a prepotêntcia, o arbítrio, o desvario de um mentecapto que sem respeito pela lei, nem pelos mais elementares princípios de convivência, manda agredir adversários políticos (nós também cá temos alguns, eu que o diga, já fui alvo de uma "espera" à saída de uma assembleia municipal, só por dizer que havia ilegalidades graves indiciadoras de corrupção no tratamento de favor dado a uma firma que se dizia "secção de obras" de um clube de futebol, mas que de facto era uma firma como qualquer outra, visando o lucro nos seus negócios imobiliários, não fazendo qualquer referência- no Pacto Social - a qualquer tipo de benemerência), faz da agressão sistemática aos adversários a sua imagem de marca, falsifica documentos, tem uma task force sempre a protegê-lo... enfim, é a antítese da democracia, é a diabolização da política.

Nós, que deixamos o Dalai Lama conviver no Parlamento, mas, de forma pouco ética, proibimos o seu acesso ao governo e ao presidente da República (fruto das pressões exteriores de quem também nada tem de bom no tocante aos Direitos Humanos), vamos ficar de cócoras, rastejar indignamente perante este repugnante exemplar da política que merece o repúdio de todos os cidadãos civilizados.

Ele manda bater em adversários, ele manda roubar os cartazes de publicidade dos partidos da oposição sob pretextos fúteis, ele censura ferozmente os órgãos de comunicação social, ele manipula a justiça, enfim é um ditador na plena e mais aberrante acepção da palavra.

Receber este homem é vergar, é ceder, é rastejar... é envergonhar Portugal e os portugueses.

SONETO AOS CRÁPULAS

Benito Mussolini foi o protótipo de um prepotente, ditador, desprezando a lei e subornando a Justiça (tal como Hitler) de forma despudorada e desprezível

Mas não esteve só. Ele foi o expoente de um grupo de crápulas que usando a Justiça em proveito próprio, sem escrúpulos, fizeram de um regime aceitável, uma monstruosidade jurídico-política.
Que os candidatos a "Mussolini" se cuidem, a forca pode ser o seu fim...
Os bons às vezes sofrem nesta vida
Tormentos, provações, perigos vários;
Mais parece que Deus só dá guarida
Aos patifes, ladrões e salafrários.
Inversão de valores está na moda,
Bem e Mal se confundem amiúde;
Sem lei anda a Fortuna e sua roda,
Sem rumo certo: o vício e a virtude...
No País, no concerto das nações,
Vemos em pedestais bem refulgentes
Passando por heróis, reles vilões!
Tem-se visto bastardos prepotentes
Exercendo altos cargos e funções,
Crápulas mentirosos repelentes!
NOTA FINAL: Nem todos os que exercem funções de topo são crápulas, entenda-se; mas há tantos que subiram de forma tão rápida e tão cheia de "golpadas", que, como diria o professor Cavaco Silva, parece a Lei de Gresham a funcionar (a tal que diz que a moeda má afasta a moeda boa, quando ambas circulam num dado país) e a catapultar os maus para cima e os bons para baixo...

sexta-feira, setembro 21, 2007

Guarda: "fria, farta e fiel".



A Guarda se resguarda com prudência
Da agressão de um progresso sem limites;
Resiste com saber e inteligência
Ao deus-betão, feroz nos apetites.

Nas casas solarengas se respira
Um ar senhorial, um ar altivo;
A bela catedral, à fé inspira,
Emergindo qual símbolo votivo.

A Guarda é antecâmara da Estrela
Um nó rodoviário de eleição,
Para amá-la, só basta conhecê-la
P'ra sempre ficará no coração!

"Fria, farta e fiel", dela se fala,
No verão, é bem quente, por sinal
Em hospitalidade não se iguala
Como ela não há em Portugal.

O Zêzere e Mondego fertilizam
Estes vales ubérrimos, sem parar;
Empresários, a terra dinamizam,
Deus... lá no céu, a Guarda vai guardar!