rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

sábado, dezembro 30, 2006

COIMBRA: Santuário do Fado!











Coimbra não perde o encanto
É um milagre de amor
Às vezes chora de pranto
No Fado mitiga a dor...

O Fado é sublimação
É fermento sempre novo
Faz encorpar este pão
Alma pura deste povo!

Coimbra e o Fado são par
Em perfeita sintonia
Não sei se pensam casar
Irão fazê-lo algum dia.

Do Choupal até à Lapa
Do Mondego ao Calhabé
O Fado abre a sua capa
E nos abraça com fé.

Se a fé remove montanhas
Tem força descomunal
Fado, são causas tamanhas
De feição universal!

O Fado é fraternidade
É sermos todos iguais
O Fado traz liberdade
E ela nunca é demais...

Ser fadista é ser poeta
Talvez santo... algum dia...
Ser fadista é ser profeta
Pois o Fado... é profecia!

Não há fundamentalismo
Neste Fado tão plural
O Fado é só humanismo
Rumo à paz universal!

Se Coimbra é santuário
A chama do Fado é
A velinha no sacrário
O facho da nossa fé!

Deus o criou, eu bem sei,
Deu-lhe estatuto sagrado,
Só irá p'ró céu, é lei,
Quem souber... cantar o Fado!!!

Rouxino de Bernardim

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Lisboa menina e moça, sete colinas, sete paixões...












Lisboa já não tem varinas
Lisboa já não tem pregões...
Lisboa tem sete colinas
Lisboa fervilha em paixões!

Em Alvalade o caldeirão
Fica ao rubro, raia a loucura
Quando os encarnados lá vão
A paixão até dá fervura!

À noite as discotecas fervem
Jorra a alegria na cidade
E se é certo que horas se perdem
Por vezes se ganha amizade!

A massagem é um dado novo
Toda a gente a pratica, eu noto,
O Governo massaja o povo
À cata de ganhar o voto...

Políticos massajam o ego
No parlamento com seu canto
Até eu, massajo, não nego,
Os olhos pasmados de espanto...

E... no metro, às horas de ponta
Há quem vá para ali massajar...
E sem que a gente se dê conta
Lá vai a carteira a voar...

Lisboa de paixões singelas
Já não há pregões aos jornais
Já não existem caravelas
Mas há piratas por demais!

Lisboa expõe-se na TV
Montra e passarela exportável
O povo é que pouco se vê
Se calhar... não é colunável...

Menina e moça esta cidade
Me encanta e fascina, tão bela,
É filha da mãe-Liberdade
E... chama-se Brio, o pai dela!

Cidade nova, só paixão...
Perturbante e vaidosa às vezes
Lisboa está no coração
E na alma dos portugueses!

JOTEME

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Costa da Caparica, um céu com vista para o mar...














Ai, Costa da Caparica
a gente não esquece mais
ir lá tomar uma bica
ou beber imperiais
sentir à noite o luar
amante com fino gosto
ir de mansinho beijar
as águas quentes de Agosto...

Ai, Costa da Caparica
a gente ainda recorda
esse gigante Taborda
a dizer-nos onde fica
a melhor praia do mundo
copo de uisque na mão
sorriso aberto e bem são
vivendo de prego a fundo...

Ai, Costa da Caparica
canto do céu junto ao mar
onde "barbas" significa
prazer de bem degustar
receber com distinção
gente de qualquer idade
e onde hospitalidade
é lema, timbre e brasão!

Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Nós, rios a correr para o mar...



Se contigo, "baixinha", percorri
O rio desta vida, caudaloso,
Foi por pensar que amar é só por si
Desafio marcante e venturoso.

Há escolhos, precipícios bem profundos
Nem sempre dominámos a corrente,
Não navegámos no melhor dos mundos
Mas é preciso... olharmos sempre em frente!

Nós todos caminhamos para o mar
Todos nós lá iremos desaguar
Nesta corrida ninguém fica à margem...

Para trás... não se pode recuar!
É de sentido único a viagem
Juntos... cantaremos, hino à coragem!

Rouxinol de Bernardim

Homenagem ao futebol-arte.












Ó equipa-sensação
com carradas de talento
só arte de bem jogar
toneladas de ambição
driblavam o próprio vento
ninguém tinha falta de ar...
Ronaldo, Figo ou Pelé
ao lado delas: um zero
tinham classe da mais pura
era só alma, só fé
endeusá-las eu não quero
mas tinham desenvoltura
a "folha seca" perfeita
o "nó cego" mais bem dado
um portento de magia
a finta sempre bem feita
o túnel imaginado
com perícia e alegria
punha o público a sorrir
tal a arte e a mestria
o encanto e a leveza
fazendo todos sentir
que jogar assim, diria,
é arte... encanto... beleza!!!
Rouxinol de Bernardim

segunda-feira, dezembro 25, 2006

CIDADE MARAVILHOSA... DE ALMA AZUL VESTIDA.


















Cidade maravilhosa
Um manto de orgulho a cobre;
Cidade invicta, mimosa,
Florescente, radiosa
Cidade azul, sempre nobre.

Cidade maravilhosa
Beija o Douro... terno amante;
Ao Marquês passa vaidosa,
Nas Antas, vitoriosa,
Eterna... qual diamante!

Cidade maravilhosa
Cidade-vinho-do-Porto!
Velha, melhor, mais gostosa,
Harpa tão melodiosa
Bandolim que é meu conforto.

Cidade maravilhosa
Apaixonante princesa
De sangue azul, bem ciosa,
Da linhagem majestosa,
Tem casta... tem realeza.

Cidade maravilhosa
Na Foz, céu azul anil
Torna ainda mais formosa
A cidade gloriosa
Que Deus fez, de encantos mil!!!

JOTEME

sábado, dezembro 23, 2006

FELIZ NATAL




Paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade!

Os outros... que se cuidem!


Deo gratias!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Homenagem a uma Senhora.

(Riquita)

Era um tempo sem tempo p'ra pensar,
Senil colonialismo sem visão;
Havia um prisma único a aceitar
Toda a gente a comer do mesmo pão...

Se, por opção, não quis alinhar nisto,
Recorri à poesia, meu bordão,
Meu segredo, refúgio são e misto:
Exercício de acção-motivação...

Naquela escura noite, só negrume,
Surgiu imaculada flor: Riquita!
Platónica paixão subiu ao cume
Milagrosa welwitschia, tão bonita!

Angola era a Riquita, eu sublimava,
Me alimentava os sonhos, coisas boas,
Era a estrela polar que me guiava
Rumo à paz, à concórdia entre as pessoas.

Agora, na penumbra da memória,
Com muito afecto e muita admiração
Imagino a heroína desta história:
Mais bonita! Mais cheia de emoção!

Joteme
À Maria Celmira Bauleth, ex-miss Portugal,
natural de Angola, onde cumpri serviço militar.

MARÍLIA... de Luís de Camões!




Já se afastou de nós o inverno agreste
Envolto nos seus húmidos vapores;
A fértil primavera, a mãe das flores
O prado ameno de boninas veste.

Varrendo os ares o subtil nordeste
Os torna azuis; as aves de mil cores
Adejam entre zéfiros, e amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste.

Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.

Deixa louvar da corte a vã grandeza.
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!

Luís de Camões
(Período da vida militar do Poeta)

quinta-feira, dezembro 21, 2006

O discurso do Sábio Dr Pombo!





Vós humanos, que plátanos cortais,
Árvores que são fonte de saúde...
Vós humanos, sois burros por demais
Direi mais: sois a própria jumentude!!!

Conspurcais a atmosfera de tal sorte
Que o efeito de estufa está aí:
Com ciclones, tufões, terror e morte...
Por isso, ó ser humano... eu cago em ti!!!

Usas a motosserra com fartura
Tu não tens um resquício de vergonha!
Humano predador, vil criatura...

Vou lançar cagadela nessa fronha
P'ra que te lembres, vil cavalgadura,
Que à morte do planeta... há quem se oponha!!!

R. de B

À DESCOBERTA DA VERDADE!



Te procuro, verdade luminosa
Como agulha em palheiro bem obscuro...
Te procuro, com ânsia escrupulosa,
Pois és minh'alma gémea, eu to juro!

Irei ao fim do mundo p'ra te achar!
Já farto do império da mentira,
Tão corrupta, tão farta de enganar ...
Só por ti, o meu ser em vão suspira!...

A calúnia tão pérfida, tão vil,
Até a Deus já lança loas mil...
Com reles... farisaica hipocrisia!

Mas... Deus é bom, conhece o Seu redil
Conhece o lobo e a sua aleivosia
Capaz de... devorar a própria cria!!!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

A VIRGEM MORREU... À FOME!!!



Capricho da Natureza
O insólito aconteceu:
Pomba de rara beleza
Quase sem bico nasceu!

Deficiência insanável!
De fome iria morrer...
Eu dava-lhe água potável
Milho... até mais não poder.

Viveu feliz e contente
Sorria... ao ver-me chegar!
Eu era um "pai" previdente
Gostava de a alimentar...

De brancura imaculada
Branca de Neve, eu diria,
De Virgem foi batizada
Por singela analogia...

Virgem olhava p'ra mim
Como um deus, um redentor...
Nunca me senti assim
Como um anjo protector...

Nas férias também seguia
À distância, o seu fadário...
"Paternalismo", eu diria,
Era meu... o seu calvário!

Mas um dia aconteceu
Um factor imponderável:
Uma fractura ocorreu
Ao fazer jogo amigável...

À Virgem ninguém ligou...
Esquecimento lamentável
E... toda a gente chorou
Morte horrível e evitável!!!

A Virgem... morreu à fome!!!
Não consta nas Escrituras...
Oh!, ignomínia sem nome,
Fonte das minhas torturas!!!

A Virgem imaculada
A alma me fracturou
Aquela perna quebrada
Foi Deus... que assim a levou!!!

R. de B.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Nova Revista no Coliseu do Porto: VÊM AÍ OS CUCOS!!!















O Rio já não confia
Nesta gente cá do Porto
Alguns dizem que é fobia
Outros chamam-lhe alergia
Enfim... é quase um aborto!

No Norte não há cultura!
Diz o Rio aos seus botões...
Por isso, chegou a altura
De ir a Lisboa à procura
De alguns cucos... ou capões!...

VÊM AÍ OS CUCOS!
TALVEZ UNS EUNUCOS!
O PORTO... A TRIPAS E BROA...
LAGOSTA P'RÓS DE LISBOA...

Ninguém pode contestar
Que o Rio goste de cucos
Ele é que está a mandar
Pode também contratar
Uma orquestra... só de eunucos!...

O Coliseu é do Norte!
Já tem genuína fama
Mas... ainda há quem se importe
E não deseje má sorte:
Ser clone do Politeama!

VÊM AÍ OS CUCOS!
TALVEZ UNS EUNUCOS!
O PORTO A TRIPAS E BROA...
LAGOSTA P'RÓS DE LISBOA...

Rio ao Porto tem fobia
Outros dizem alergia...
Porto vai ser sucursal
Apeadeiro ou terminal
Do... lixo da capital...

Cultura domesticada
Sem levar sal nem pimenta
É comida já estragada
De muito ranço impregnada...
Não queremos esta ementa!!!

POVO QUE NO RIO CANTA
POVO QUE NO RIO LAVA...
AFINA BEM A GARGANTA
LÁ CANTA... E SEU MAL ESPANTA:
RIO... VAI MAS É À FAVA!!!

JOTEME

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Almeida Garrett, o Homem certo para animar o COLISEU!













Atingiste o limiar da perfeição
Burilaste as palavras com mestria...
No Teatro criaste animação
Nova Luz transmitiste à Poesia!

O Porto se rendeu ao teu perfil,
O Norte foi p'ra ti uma paixão
Por isso te envolveste em causas mil
À Cultura entregaste o coração!

Garrett, inauguraste o romantismo!
Trilhaste novos rumos literários...
Mindelo te deu aura de heroísmo...

Levaste a tua cruz a mil calvários...
Com classe, inteligência, virtuosismo;
Foste um puro... no meio de "falsários"!...

Joteme

sábado, dezembro 16, 2006

O longo braço da Lei...






O longo braço da lei
Firme e hirto deve ser!
Sofre pressões, eu bem sei,
Deve respeitar a grei,
Não ajoelhar ao poder!...

Ajoelhar sim, só a Deus!
Dizia o bispo do Porto...
A tiranos ou sandeus,
Corruptos ou filisteus
É lançá-los ao mar Morto...

Magistrados de mãos dadas
E... de mãos limpas, decerto,
Com coragem às carradas
Mostrem às almas danadas
Que o fim da linha está perto!...

Seu isco é dinheiro vivo
Gente em saldos?... Deprimente!
O submundo está cativo
Agarrado... involitivo...
O submundo é toda a gente?!

Gente em saldo?... Que maldade!
É preciso uma mudança!
De rumo, de mentalidade,
E... depois da tempestade
Há-de vir... justa bonança!!!

sexta-feira, dezembro 15, 2006

MAIA, amai-a com paixão!











Amai-a com frenesim
Adorai-a, pois merece...
Terra com carisma assim
A gente jamais esquece!

Amai-a, ó gentes maiatas!
Protegei-a de agressões...
Da voragem dos piratas
Da vertigem dos betões!

Inovação tecnológica
Educação e cultura
Uma agro mais biológica...
Vai formosa e vai segura!...

Não há bela sem senão
Há sempre algo a corrigir
A excessiva ambição
Progresso pode traír!...

Gonçalo Mendes, regressa!
Intervém, ó Lidador...
A Maia cresce depressa
Mas... às vezes... sem rigor!

Maia desfila com raça
Na passarela nortenha
Cidade cheia de graça
E não há quem a detenha!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

NAZARÉ: fiel amante de... Neptuno!













Nazaré se espraia, airosa,
Ao sol de Agosto rendida...
Mergulha no mar, vaidosa,
Dorme na cama arenosa
Compensa... a noite perdida!

Morena, p'lo sol tostada
Música no coração,
Vejo-te lá na esplanada
Livre... mas aprisionada
Ao umbilical torrão!

Maria da Nazaré,
Gravura de Columbano!
Sonho meu!... direi até:
Princesa, dentre a ralé,
Vera musa do oceano!

Nazaré, terra-mulher!
Âncora de afecto antigo
Voltarei, se Deus quiser...
Não mentirei se disser
Que ainda sonho contigo!...

Nazaré-gaivota linda!
De olhar doce... como o mel...
Neptuno, ternura infinda,
Te ama agora, mais ainda,
Por saber que lhe és fiel!...

domingo, dezembro 10, 2006

MATOSINHOS: o rosto e a alma...


















As terras também têm rosto:
Matosinhos é rincão
Onde o povo é bem disposto
Leva a vida com bom gosto
Tem o mar no coração!

Mesmo nos dias de pranto
O Senhor de Matosinhos
Estende à terra o Seu manto
Quem sofre... não sofre tanto...
Nem há lugar para espinhos!

Um rosto de maresia
Na lota se pode ver
Gente que faz poesia
Do trabalho uma elegia
É gente de um só querer!

Florbela Espanca aqui jaz
Com seus sonetos de amor...
Finalmente livre e em paz
Quanta nostalgia nos traz
Seu ar terno e sofredor!

Nas docas, os marinheiros,
Matam saudades de terra:
Repousam, rudes guerreiros,
Fazem ondas, desordeiros,
Nalguns locais lançam guerra...

Esta placa giratória
Sempre, mas sempre a girar...
É colmeia migratória
População piscatória
Que na alma... só tem o mar!...

Matusalém

quarta-feira, dezembro 06, 2006

PORTO: Cidade Santa?















Oh! nobre e invicta cidade
Co'o rio Douro casada,
Respira felicidade
P'lo bom Deus abençoada!
O Reininho te apregoa
O Germano te emoldura
P'ra que ultrapasses Lisboa
Em beleza e formosura...
Cláudio, diz que é a senhora
Que o Garrett mais amou,
Foi paixão bem redentora
Que nunca o atraiçoou...
Porto!, cidade-menina
Da Rosa Mota madrinha
Tem o brilho da Agustina
O perfil de uma rainha
Tendo na Foz diadema!
Porto!, cidade-poema!

Oh! nobre e invicta cidade!
Onde as tripas têm cartel ...
Passado de heroicidade
À Pátria sempre fiel!...
Aqui Camilo criou
Seu "Amor de Perdição"
Também cá se apaixonou
Sofreu iníqua prisão,
A cidade retratou
Nos ocos, falsos pudores,
Excelso escritor, pintou
Da vida todas as cores...
Porto: de Hernâni e Pavão,
Vinho fino, divinal!
O Porto é outra nação
É o mundo... em Portugal!
Porto é relíquia sagrada
Terra santa, abençoada!...

Matusalém

sábado, dezembro 02, 2006

GENEROSIDADE!





Generosidade é isto:
Não discriminar ninguém!
Que pensas Tu disto, ó Cristo,
O dar-se a quem nada tem?!

Remo e Rómulo, na essência,
A uma loba generosa
Devem a sobrevivência,
Loba-mater, extremosa!

Por isso, Democracia,
Aprende aqui a lição:
Todo o cidadão é cria...
Não quer discriminação!

Balelas só p'ra inglês ver,
O retrato é uma excepção
Pois nas tetas do poder
Mamam uns... e outros não!

Há regra e há excepção
Na nossa Democracia...
Há quem tenha indigestão
Por mamar em demasia!...

Matusalém